Games precisam ser mais parecidos com Netflix, diz executivo de Xbox

Aaron Greenberg faz comparação para defender integração Windows/Xbox.
'Quantum Break', 'Gears of War' e 'Forza 6' são games que sairão para PC.


Jogar videogames precisa ser mais parecido com assistir a programas do Netflix: uma experiência fácil e integrada, capaz de se adaptar rapidamente ao aparelho que você estiver usando. É o que diz Aaron Greenberg, líder da divisão de marketing de Xbox, em entrevista ao G1.

"Se começo a assistir Netflix no meu Xbox e pauso um filme ou uma série, consigo continuar exatamente da onde parei no tablet ou no PC. Queremos fazer a mesma coisa com games", afirma o executivo.

"Os games precisam evoluir, assim como seus programas de TV, livros e outras formas de entretenimento, que te acompanham de um dispositivo para o outro. Queremos construir um ecossistema único, centrado nos jogadores, em que a comunidade se mantém conectada independentemente de você estar no console ou no PC".

É uma afirmação ousada. Mas como isso vai acontecer? Ou melhor: por que devo acreditar?

Tudo faz parte de um plano maior da Microsoft. As falas de Greenberg defendem a nova tentativa da empresa, após fracassos como a plataforma Games for Windows Live (GFWL), de cair na graça da galera que joga no computador. E no meio-tempo, é claro, levantar a moral do seu principal produto, o Windows 10, entre os fãs de videogames.

Série de corrida 'Forza' estreia no Windows 10 com 'Forza Motorsport 6 Apex', versão gratuita do game de Xbox One (Foto: Divulgação/Microsoft)Série de corrida 'Forza' estreia no Windows 10 com 'Forza Motorsport 6 Apex', versão gratuita do game de Xbox One (Foto: Divulgação/Microsoft)
Xbox no PC

Essa estratégia foi detalhada na quinta-feira (26), em San Francisco (EUA), quando a Microsoft realizou um evento inteiramente dedicado a promover a integração entre Xbox e a nova versão do seu sistema operacional.

Sim, o Windows já tem um aplicativo com várias funções da rede online Xbox Live, com acesso à lista de amigos, conquistas e até ao "streaming" de games do Xbox One para o computador. No entanto, o alvo agora é o conteúdo propriamente dito.

No evento, a Microsoft anunciou a estreia da série de corrida "Forza" no Windows 10. É "Forza Motorsport 6 Apex", uma versão gratuita do game de Xbox One que suporta resolução 4K (Ultra HD) e traz novos modos de jogo.

Também passaram por lá os portes para computador de "Gears of War: Ultimate Edition", outro "showcase" gráfico que pode ser rodado a 4K, e da terceira temporada de "Killer Instinct". A estreia nos PCs do violento game de luta irá permitir ainda a disputa de partidas com quem estiver jogando no Xbox One, como acontece com o PlayStation 4 em "Street Fighter V".

Árbitro, personagem da série 'Halo', é um dos novos lutadores da terceira temporada de 'Killer Instinct' (Foto: Divulgação/Microsoft)Árbitro, personagem da série 'Halo', é um dos novos lutadores da terceira temporada de 'Killer Instinct' (Foto: Divulgação/Microsoft)

Colar pra somar

A aposta na integração chega a ser um pouco óbvia. É a Microsoft tentando apagar as memórias ruins deixadas pela GFWL, uma plataforma com vários problemas de conexão e autenticação que não agia em conjunto com a Xbox Live do Xbox 360 e com outras lojas virtuais de games. E que associou a marca Windows a uma experiência desgastante com games no PC.

O próprio Phil Spencer, chefão da divisão Xbox, tem pleno conhecimento do histórico negativo e adotou uma postura humilde para falar dos planos. "Se nós, o grupo de games da Microsoft, tomarmos decisões pensando nos jogadores, iremos levar nossa plataforma adiante. Sabemos que temos muito a provar no ambiente de games para PC. Queremos ouvir sugestões, mas estamos 100% comprometidos com essa comunidade".

'Sabemos que temos muito a provar no ambiente de jogos para PC', diz Phil Spencer, chefe da divisão Xbox (Foto: Bruno Araujo/G1)'Sabemos que temos muito a provar no ambiente de jogos para PC', diz Phil Spencer, chefe da divisão Xbox (Foto: Bruno Araujo/G1)

O maior exemplo dessa nova fase, porém, está em um título inédito – uma aposta que pode ser considerada bem arriscada, já que ele é um dos jogos mais esperados de 2016. "Quantum Break", nova produção da Remedy ("Alan Wake"), será a grande cobaia de um modelo "cross-buy", "cross-save", entre Xbox One e Windows 10.

Ou seja, você compra a versão de Xbox One, ganha (na pré-venda) a de Windows 10, e consegue levar seu progresso no game de um aparelho para o outro. Algo que já acontece de forma similar em jogos indie para PS4 e PS Vita. Sacou a comparação com Netflix lá de cima?

"Estamos tentando quebrar a parede entre as comunidades de jogadores de consoles e de PCs e unir todos eles", diz Greenberg. "Usar a plataforma universal do Windows para lançar games que funcionam nos dois aparelhos permite que as pessoas comecem uma partida na sala e terminem no quarto".


'Quantum Break' é um dos games mais esperados de 2016, e será lançado para Xbox One e PC (Foto: Divulgação/Microsoft)'Quantum Break' é um dos games mais esperados de 2016, e será lançado para Xbox One e PC (Foto: Divulgação/Microsoft)

A iniciativa causou polêmica com muitos donos de Xbox One que ficaram bravos com a "perda da exclusividade" sobre "Quantum Break". A reação é injusta, já que ninguém perdeu nada de fato e pô, quanto mais gente jogando um game, melhor.

Porém, é compreensível a preocupação em certo nível. Será que futuros games com esse recurso podem ficar mais caros justamente por terem "cross-save"? E se eu não tiver um PC compatível com os requisitos mínimos necessários do jogo? De nada vai me servir. Enfim, divagações e suposições para uma outra hora.

Mas a Microsoft tem um ponto interessante em relação à essa novidade. "A cada geração de consoles, nós basicamente guardamos nosso videogame velho no armário e compramos um novo. E essa troca invalida os jogos que temos", diz Phil Spencer. "Com isso [cross-buy], nós desvencilhamos o software da plataforma que ele roda".

E o que você acha? Em suas falas, tanto Phil Spencer quanto Aaron Greenberg defendem que a decisão de aproximar Windows 10 e Xbox One levam em consideração o jogador em primeiro lugar. Concorda? Discorda? Vai ser bom? Ou é só conversa para boi dormir? Diga sua opinião abaixo na caixa de comentários.

Fonte: G1



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